Uma das maiores críticas que escutamos quanto ao lançamento de uma editora de livros digitais para crianças se baseia no argumento de que não há público nem mercado para tal. É claro que discordamos, mas resolvemos explicar o motivo dessa discordância. E nada melhor para isso do que avaliar dados internacionais e nacionais.Sobre o mercado internacional, temos dados do passado:

  • Segundo a Association of American Publisher (AAP), de 2010 para 2011, o mercado de e-books cresceu 117% nos Estados Unidos, e a venda dos livros digitais norte-americanos cresceu 333%: foram 3,4 milhões de e-books vendidos para diversos países e o rendimento subiu de 4,9 milhões de dólares para 21,5 milhões de dólares.
  • A Future Source Consulting afirmou ainda que, em 2010, foram mais de 90 milhões de e-books vendidos no mercado global.

E previsões para o futuro:

  • A IBISWorld prevê que o crescimento do mercado de e-books seja de 88,3% em 2013 e que o faturamento chegue a quase 7 bilhões de dólares nos Estados Unidos.
  • A AAP está propondo a adoção do formato o Epub 3 como padrão para a publicação de livros digitais pelas editoras norte-americanas já em 2014.

Por que esse interesse em padronizar? Porque, além de permitir outros recursos aos livros digitais – como o layout fixo –, o Epub 3 é um formato que, num futuro próximo, barateará a produção por permitir a leitura em diversos equipamentos.

Já sobre o Brasil temos os seguintes dados:

  • A Nielsen indicou um aumento de 400% nas vendas de tablets no primeiro trimestre de 2013.
  • A pesquisa Produção e Venda do Mercado Editorial, encomendada pela Câmara Brasileira de Livros (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), aponta que, em 2012, a venda de livros digitais cresceu 343% – e deve ser melhor ainda em 2013  –, enquanto a venda de livros impressos caiu 2,64%.

Então, o mercado editorial digital brasileiro está de vento em popa? Estaria, se a produção não fosse ainda tão pequena:

  • As 197 editoras que participaram da pesquisa encomendada pela CBL e pelo Snel foram responsáveis pela publicação de 57.473 títulos no Brasil em 2012. Destes, apenas 7.664 eram no formato digital (entre Apps livro e e-books) e resultaram na venda de 235 mil exemplares, gerando um faturamento de R$ 3,9 milhões, o que representa menos de 0,01% do faturamento total das editoras.

Mas se a produção aumentar esses números podem mudar… e muito. Até porque a Associação Nacional dos Livreiros (ANL) indica que dois terços das livrarias ficam na região sudeste do nosso país, e livros digitais podem ser comprados em qualquer região, a qualquer hora.

Infelizmente, não obtivemos dados específicos sobre o mercado de publicações digitais para crianças, mas empresas grandes, como a Disney, a Parragon e agora também a Random House, publicam seus e-books com layout fixo, o mesmo formato que escolhemos na Pipoca.

É interessante ver editoras conceituadas, como a Cia. das Letras e a Cosac Naify, começando a investir com mais interesse nesse mercado. Mas, quando se trata de livros infantis, tal movimento ainda é fraco… e focado em Apps, o que nos parece perder um pouco da essência do livro em si.

Concordamos com a editora de infantis da Cosac Naify quando ela diz que um dos fatores para essa lacuna é a quantidade de e-books lançados sem a preocupação com o processo editorial. E se isso já preocupa o mercado de interesse geral, tal preocupação se torna muito mais séria quando se está produzindo para o público infantil.

Aliás, você sabia que a segunda faixa etária que mais lê livros digitais é a de crianças e adolescentes (de 5 a 17 anos)? Pois foi isso que o estudo Retratos da Leitura no Brasil 3 apontou. Se somarmos essa informação ao fato de 66% das crianças leitoras lerem literatura infantil (segundo o mesmo estudo) e ao crescimento de 87% no número de títulos infantis de 2005 a 2010 (de acordo com a pesquisa sobre Produção e Venda do Mercado Editorial), não conseguimos entender por que o mercado de publicações digitais para o público infantil ainda é tão pequeno no Brasil.

O que temos disponível são Apps ou livros em PDF ou Epub tradicional. É possível encontrar também algumas edições vindas de Portugal, mas títulos nacionais à venda como livros, feitos como livros e produzidos especialmente para o formato digital, com os recursos que a tecnologia hoje já permite, isso nós não temos!

Se considerarmos ainda que o ser humano tem mais familiaridade com aquilo que conhece desde a infância e que as crianças de hoje são nativas digitais, e, além disso,  se agregarmos tal informação ao panorama que os dados revelaram, nos parece bem frustrante que as crianças tenham tão poucas opções de uso para os tablets além dos Apps.

Tão frustrante que resolvemos começar a Pipoca pra descobrir se a nossa leitura dos dados está correta!

 

Por Suria e Isabela

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Leia mais sobre o assunto:

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* http://bit.ly/1hMFhbK                * http://bit.ly/JYV0Au                     * http://bit.ly/pYbgiT                   * http://bit.ly/1b92LmG

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