Imagem: EmprendeLibro 

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Logo que abriu a convocatória do programa EmprendeLibro, redigimos nosso primeiro projeto internacional! Afinal, mesmo se não passássemos, colocar as ideias em ordem, na forma de projeto, já nos ajudaria muito a dar sequência a ele depois; isso era uma coisa que já sabíamos.  E passamos! Isso significa que, de março a agosto, em vez da conexão São Paulo-Minas Gerais, nossa conexão será Madrid-Minas.


 

A essa altura vocês já devem saber que fomos aprovadas no programa EmprendeLibro, na Espanha, certo? Mas o que é o programa? Ccomo fomos parar lá? Bom, tudo começou com a premiação no Edital Conexão Cultura Brasil #Negócio, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), para participar da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL).

Lá na feira havia uma parte específica para empreendimentos/publicações digitais, na qual aconteciam palestras e apresentações de produtos e serviços, e uma das apresentações foi de Santiago Mazarrasa, coordenador do EmprendeLibro. A gente ficou lá, maravilhada, ao ouvi-lo dizer que o EmprendeLibro visava identificar, consolidar e internacionalizar projetos inovadores no âmbito da edição digital por meio de um programa de incubação, e que queriam ampliar os programa para pessoas de qualquer país hispanohablante. Pensamos que seria bem legal se isso existisse no Brasil…

Marcamos uma reunião com o Santiago, para conversar com calma, ainda que, ao final da palestra, ele nos tenha dito que seria muito difícil a nossa participação no programa, já que o Brasil não é um país hispanohablante.

Na reunião, mostramos os livros (que ele achou lindos <3 ) e contamos por alto a nossa ideia de intercâmbio cultural por meio da literatura infantil digital. Então, ele disse: “Olha, o projeto de vocês já está bem adiantado, o material é muito bom, e o requisito é que as publicações que se deseje produzir sejam em espanhol… Então, não sei dizer se os jurados considerarão aceitável ou não a candidatura de vocês, mas se inscrever não custa nada, né?”.

É, não custa. E logo que abriu a convocatória, redigimos nosso primeiro projeto internacional! Afinal, mesmo se não passássemos, colocar as ideias em ordem, na forma de projeto, já nos ajudaria muito a dar sequência a ele depois; isso era uma coisa que já sabíamos.  E passamos! Isso significa que, de março a agosto, em vez da conexão São Paulo-Minas Gerais, nossa conexão será Madrid-Minas.

Mas o que vamos fazer lá? Muita coisa legal!

O programa, coordenado por José Antonio Cano e Francisco González Bree (departamento de innovação da Deusto Business School), terá oficinas e sessões de mentoria personalizadas para ajudar a desenvolver o projeto apresentado, com foco em análise de mercado, oferta competitiva, estratégia e modelo de operação e estudos de casos.

Na sequência, começaremos a trabalhar especificamente em cima de nosso projeto, para consolidar e reforçar as características inovadoras e gerar novas oportunidades de negócio.

O programa acontece na Factoría Cultural, um espaço de coworking (lindo!) que fica dentro do Matadero de Madrid, espaço este que sedia diversos programas culturais. Além disso, durante os seis meses, teremos acesso a muitas coisas legais, como, por exemplo, participação nas feiras internacionais de que tanto gostamos. As novidades, então, virão de várias frentes!

A começar pela participação na Feira Do Livro Infantil de Bologna, a maior feira internacional deste nicho de mercado.

A feira é muito rica e nos coloca diante de muitas ideias, possibilidades e debates. Essa visita foi bem diferente da anterior, em 2014, quando o nosso foco era realmente sentar e ouvir as palestras do café digital. Neste ano o foco foi a busca de parceiros, e por isso não foi possível montar uma agenda com tudo o que eu gostaria de ter assistido. Mas que a feira é linda e que os stands são muito bacanas, isso não se discute! Dá uma olhada nas fotos que postamos na nossa fanpage.

Mas vamos falar de digital?

Este ano, em vez de ter apenas uma parte de um hall, onde acontecia o Café Digital e era possível encontrar alguns stands promocionais, surgiu uma área específica para o digital: o Hall 32. A princípio, isso parecia uma grande conquista, já que é um baita ganho de espaço. Mas seria necessária essa separação?

Nos parece interessante que as duas formas de produção convivam, inclusive em um mesmo espaço, pra ver se em algum momento essa suposta competição chega ao fim. Mas esse talvez ainda seja um objetivo distante, pois ainda encontramos por aí discussões a respeito de o livro digital ser realmente livro…

500 anos atrás o livro passou a ser impresso e hoje ele é digital, mas é uma continuidade. Livros são diferentes de mapas, de vídeos, e daqui a 500 anos, acredito que os livros continuem sendo livros, seguindo as mudanças do tempo.

Joseph Noble, da Oxford Univesrity Press (UOP)

Pois é isso: livro é livro! Seguindo as mudanças dos tempos, mas segue sendo livro… E é diferente de App! Isso foi uma das coisas que mais me chamou a atenção: em uma feira de livros, no hall digital, havia stands de venda de serviço de conversão de livros em Apps, tínhamos realidade aumentada, etc, mas não havia amostras do que as editoras estão fazendo nesse sentido. E, sim, elas estão produzindo digitais; a citação acima, por exemplo, veio de uma apresentação feita pelo responsável pela biblioteca da Oxford, e há relatórios recentes de que a leitura digital por crianças está só crescendo.

Sabemos que há quem considere preciosismo diferenciar livros digitais de App books, mas especificamente em uma feira editorial, onde o que se vê são as diversas engrenagens da industria dos livros, seguir tratando o digital como algo à parte ou somente como aplicativo nos parece um pouco incoerente. E o curioso é que isto foi diferente do que vimos em Guadalajara, onde constatamos que existe um movimento mundial de criação serviços digitais que utilizam modelos  e recursos muito semelhantes aos da já tão estabelecida indústria dos livros impressos,* daí que vemos essa divisão entre App-books e e-books como uma característica fundamental de modelos de negócios diferentes (em breve publicaremos um texto específico sobre isso).

De qualquer forma, se as feiras estão nos mostrando que fazemos parte do mercado editorial com a nossa produção híbrida, que une o digital ao editorial, será o EmprendeLibro que nos dará agora a força necessária para seguirmos em frente, participando de mais feiras, compreendendo melhor o nosso modelo de negócio e ajudando, um pouquinho que seja, a consolidar este mercado ainda incipiente.

Por Suria e Isabela

* No texto que publicamos sobre a Feira de Guadalajara, tratamos deste assunto mais detalhadamente

ccbync3br

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Informações adicionais sobre o programa EmprendeLibro:

O juri que avaliou os 40 projetos enviados foi composto pelas seguintes instituições/pessoas:

Deusto Business School (Francisco Bree e José Antonio Cano)

Com mais de 125 anos de experiência, a Universidade de Deusto trabalha em cima da responsabilidade de treinar profissionais responsáveis, capazes de promover e liderar projetos sustentáveis em contexto global em busca de uma sociedade mais inclusiva.

Fundación Germán Sánchez Ruipérez (Luis González e Javier Fierro)

A fundação foi criada em 1981 pelo editor espanhol Gérman Sánchez Ruipérez e se dedica a atividades educativas e culturais com atividades focadas no fomento à cultura do livro e à leitura. Tais atividades acontecem em seus diversos centros técnicos integrados a equipes profissionais que as coordenam. Por receber muitos projetos de experimentação, formaram uma base sólida para elaborar modelos de trabalho inovadores e difundi-los através de publicações — além da realização de cursos e seminários dirigidos a profissionais de bibliotecas ou da educação.

Factoría Cultural / Vivero de Industrias Creativas (Antonio Bazán)

A Factoría é um centro que trabalho com o eixo comercial de projetos culturais visando fomentar e tornar reais projetos inovadores e sustentáveis em um ambiente de trabalho que favoreça o networking. O objetivo é criar um ecosistema que facilite ao empreendedor residente o acesso aos recursos,  serviços e  formação necessários para desenvolver seu projeto, buscando tornar-se referência tambem em nível internacional como viveiro e acelerador especializado em indústrias culturais e criativas.

FANDE — Federación de Asociaciones Nacionales de Distribuidores de Ediciones (José Manuel Anta)

Órgão representativo do setor de distribuição de livros e publicações periódicas da Espanha que conta com mais de 150 empresas distribuidoras associadas. A atividade da FANDE se centra na representação e na promoção do setor por meio do contato com as associações de editores e pontos de venda e órgãos públicos e privados da Espanha ou de outros países relacionados ao setor livreiro.

E o programa conta com o apoio das seguintes empresas/instituições:

2 thoughts on “Pipoca no EmprendeLibro (e em Bologna!)

  1. Muito bom seu relato, quando voltar vamos conversar mais no sentido de fortalecermos nosso trabalho com os digitais infantis no Brasil. Arriba Espanha!

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