Diagrama: Editora Pipoca

Post_Apego ou modelo de negocio_EditoraPipoca

Por entendermos que, em uma infância saudável, livros e brincadeiras devem caminhar lado a lado, não nos parece haver motivo para ser diferente em relação ao formato digital. É impossível não reconhecer que o espaço da leitura digital, especialmente no caso de crianças, ainda não tem o peso que poderia ter, e que o principal uso que elas fazem dos tablets é para jogos ou acesso a redes sociais. No entanto, entendemos que os App-books não cumprem bem a função nem de aplicativo — por não utilizar a liberdade criativa que um App permite — nem de livro — por interromper a narrativa com funções mais semelhantes às de games, o que nos parece conceitualmente complicado.


 

É um alento que esteja crescendo o número de editoras que publicam no formato digital pelo mundo afora, mas sabemos que editoras brasileiras de livros infantis exclusivamente digitais, por enquanto, somos só nós. E por isso nos sentimos responsáveis por construir um conhecimento sólido, que venha de diversos lugares de fala. Uma de nós trabalha há anos no mercado editorial, a outra vem do educacional, e, sim, são experiências complementares. Mas temos muita clareza de que precisamos de conhecimentos das áreas da tecnologia, da biblioteconomia e de outras produções culturais para crianças — TV, museus, espaços culturais e brincantes, por exemplo —, e buscamos, sempre que possível, participar de eventos, palestras, simpósios, entre outras atividades formativas.

E foi nessas situações formativas que nos demos conta de nossa hibridez, por unir o  digital ao editorial, e também por buscarmos propor atividades artesanais relacionadas a leituras digitais, como forma de integrar os dois mundos. Em Guadalajara tivemos uma percepção mais clara da nossa inserção no mercado editorial e da maneira como acontece essa união, pelo fato de estar, sim, sendo aberto esse espaço para a absorção do digital nesse mercado tão antigo e tão tradicional que é o editorial. Foi daí que tivemos a certeza de que o nosso modelo de negócio também é híbrido (coisas óbvias, que, muitas vezes, não ficam claras de cara… incrível isso!).

De lá para cá, muitas águas já rolaram, e a principal delas está sendo a participação no EmprendeLibro, que já rendeu a participação na Feira de Bologna, entre muitas outras experiências bem legais!

Passamos, então, a ter a clareza de que o nosso modelo de negócio é editorial e é daí que vêm as diversas ações que nos levam a agregar conteúdos infantis, pois, além de ser  bacana fazer livros infantis, é bacana também pensar sobre livros infantis, assim como também é legal levar maior conhecimento sobre os livros para as crianças, além de também ser muito bom criar atividades relacionadas aos livros. E, poxa, é uma delícia ver a reação das crianças com os livros, com as atividades e com os conhecimentos que levamos até elas! Enfim, uma coisa leva a outra, e assim seguimos produzindo, além do livros, conteúdos infantis (fora os que não produzimos ainda, mas que já estão na lista!).

Até hoje, uma questão recorrente é a seguinte: “Mas por que vocês fazem e-books e não Apps?”. A nossa primeira resposta pode ser um diagrama que Benchimol* apresentou na oficina de edição digital em Guadalajara ― e que nós complementamos ― sobre as experiências da leitura e do jogo:

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Diagrama: Editora Pipoca

O nosso foco é o livro, a nossa preocupação é a promoção da leitura, e esse é o ponto central de fazermos e-books e não Apps. Mas há também um ponto comercial aí: os livros contam com agregadores, que os divulgam e promovem dentro da estrutura já existente do mercado editorial, e isso nos parece fundamental, uma vez que é assim que chegamos a livrarias e bibliotecas

Por entendermos que, em uma infância saudável, livros e brincadeiras devem caminhar lado a lado, não nos parece haver motivo para ser diferente em relação ao formato digital. É impossível não reconhecer que o espaço da leitura digital, especialmente no caso de crianças, ainda não tem o peso que poderia ter, e que o principal uso que elas fazem dos tablets é para jogos ou acesso a redes sociais. No entanto, entendemos que os App-books não cumprem bem a função nem de aplicativo — por não utilizar a liberdade criativa que um App permite — nem de livro — por interromper a narrativa com funções mais semelhantes às de games, o que nos parece conceitualmente complicado.

Desde o começo da Pipoca pensamos, sim, em produzir Apps, e lá em Guadalajara vimos os excelentes exemplo de Apps da Conaculta, que  servem mais para estimular a leitura do que que para substituí-la. E vimos como os e-books são um meio de levar a leitura aos nativos digitais.

Sabemos que há diversas situações em que um App funciona melhor do que um e-book, e foi isso que dissemos ao fotógrafo José Tezza**, em Guadalajara: que o trabalho dele é um exemplo que funcionaria muito melhor como um App, assim como os Apps de museus não seriam bons exemplos de e-books. Talvez voltemos ao ponto que Anne-Sophie Brieger, da Sago Mini, expôs no workshop do Festival comKids: estruturas sem narrativa, por mais sequenciais que sejam, não resultam bons e-books. Como nós compreendemos que o nosso modelo de negócio está diretamente ligado ao mercado editorial, pensamos na integração e na complementação que pode haver entre os Apps e os e-books — e vice-versa. Assim:

Post_Apego ou modelo de negocio_EditoraPipoca

Diagrama: Editora Pipoca

É por isso que entendemos a defesa aos e-books não como apego, mas como um entendimento mais profundo do nosso modelo de negócio, do mercado editorial, da diferença entre os dois produtos e, além de tudo, da importância de inserirmos a promoção e o incentivo à leitura no universo digital — que pode, sim, também ser feita por meio dos Apps, mas dos Apps de incentivo à leitura e não de App-books. Porque o mais importante nisso tudo é que, neste momento em que a tecnologia tem um papel essencial na vida de todos ― e desde tão cedo ―, é grande o risco de não haver a preocupação em apresentar a possibilidade dos dispositivos móveis como base para conteúdos literários.

 

Por Suria e Isabela

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* Daniel Benchimol, fundador e diretor do Proyecto 451.

** O fotógrafo José Tezza também fez parte da delegação brasileira selecionada pelo MinC para participação na Feira Internacional do Livro de Guadalajara.

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