É preciso aceitar que há limites no que cada pessoa pode fazer individualmente. Por isso é tão importante o trabalho em equipe (em todas as áreas) e é por isso que conceitos de colaboração vêm ganhando força. Juntos somos mais; sozinhos, porém, precisamos entender e assumir os nossos limites.
Na Pipoca, somos uma equipe de duas, contamos com a preciosa ajuda de algumas pessoas, é verdade. Mas no dia a dia, somos apenas duas. Duas pessoas, duas cabeças, quatro mãos, e isso nos impõe limites.
Desde o início estávamos certas de que produzir o blog, organizando o conhecimento que iríamos adquirir, seria essencial para nós e, quiçá, interessante para os outros. Sempre tivemos, também, a clareza de que era fundamental realizar atividades com as crianças, tanto para apresentar-lhes a possibilidade de leitura no formato digital quanto para buscar um convívio saudável entre as atividades virtuais e as físicas. Além disso, temos de cuidar da parte editorial-pedagógica, administrativa, financeira, de comunicação, de marketing, de curadoria de conteúdos para a fanpage…
Sem uma equipe, porém, precisamos definir quais são as ações prioritárias. E diante de diversas situações que se apresentaram para nós este ano, que vão desde a situação política conturbada de nosso país à nossa participação em um programa internacional, ocorreu-nos que precisamos focar em nossa produção cultural, e isso inclui a produção dos livros em outros idiomas e a produção de novos títulos.
Isso não significa que vamos parar de produzir textos para o blog, mas sim que não manteremos a frequência que tem sido mantida até hoje. Não podemos garantir um texto a cada quinze dias, mas, de vez em quando, vai ter texto! Em breve publicaremos até mais uma entrevista!
No texto anterior, abordamos a relação entre educação escolar, acesso à cultura e produção e distribuição cultural. Defendemos que é preciso entender que, ainda que exista uma relação estreita entre educação escolar e difusão cultural, há limites que devem ser respeitados para que todos saiam ganhando – especialmente as crianças, que estão em uma fase de construção de repertórios.
Na Pipoca, nós produzimos cultura – cultura literária feita para crianças. E consideramos perfeitamente compreensível que, diante das discussões acerca da cultura que vieram desta crise política brasileira, o artista Odyr Bernardi, em um acesso de indignação, tenha publicado este desabafo:

“Pessoal chamando artista de vagabundo e cultura de inutilidade, queria ter o poder de remover TODA a arte de suas vidas até não sobrar nenhuma alegria e conforto. Acordando num mundo sem música, filme, quadrinho, novela ou séries para se perder um pouco no fim do dia, o ser humano que nos chama de vagabundo teria que pensar, imagina. Aproveita o embalo e vai removendo todo o resto desse conjunto imaterial que chamamos de cultura, tira o carnaval e o acarajé da baiana, vai removendo, vê o que fica e se é um mundo em que vale a pena viver”.

Mas esse cenário proposto por ele não vai acontecer em hipótese alguma, porque todos nós somos produtores de cultura cotidianamente. Tirassem a cultura, todos nós a produziríamos – ela não deixaria de existir com o fim do Ministério da Cultura. O perigo seria justamente não nos deixarem produzir cultura. Aí, sim, em uma situação extrema como essa, enlouqueceríamos. E apesar de ainda não termos clareza de como serão as políticas públicas para a Cultura e para a Educação durante este período político conturbado, nós seguimos por aqui, na Pipoca, produzindo cultura.
Além disso, consideramos também que temos a função social de levar essa cultura para as crianças, dividindo a responsabilidade de incentivo à leitura e de difusão de conhecimentos sobre livros e literatura infantil com as escolas e outras instituições responsáveis por isso, como casas de cultura e bibliotecas. É por isso que fazemos atividades relacionadas aos livros.
E tanto a produção de livros quanto a realização de atividades são ações diferentes das que temos aqui no Pipoca Azul. Aqui, produzimos conhecimento: obtemos informações a respeito dos universos pelos quais circulamos (livros, literatura, crianças, infância, produção cultural, mercado editorial, relações com tecnologia, hábitos de leitura, entre outros) e, depois de fazer essa coleta e de refletir sobre as informações, produzimos algo diferente, que é o conhecimento. Não é um conhecimento validado científica e academicamente, mas é, sim, conhecimento.
Mas… reconhecendo os nossos limites, percebemos que teríamos de priorizar entre (1) a nossa produção cultural, (2) o nosso papel social e (3) a nossa produção de conhecimento. Então, como a Pipoca é uma editora, a prioridade só pode ser pelos dois primeiros itens, até porque essa escolha não inviabiliza o terceiro, pelo contrário, só o fortalece.
Então, por enquanto, diminuiremos a frequência de postagens aqui no Pipoca Azul, mas faremos uma integração com o Facebook; afinal, em nossa fanpage realizamos um trabalho curatorial que também se encaixa num espaço de produção de conhecimento. O que queremos com isso é encontrar a dinâmica possível para apenas quatro mãos, sem abandonar nenhuma das coisas que acreditamos ser parte de nosso papel como editora infantil!

Por Suria e Isabela

 

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