Imagem: Livro Era uma vez… uma Bruxa, de Carla Chaubet, ilustrado por Marcella Briotto, na etapa de ajuste de cores na gráfica.

Os livros impressos da Pipoca estão sendo vendidos pela Amazon e, em breve, serão vendidos também pelo site da editora. Mas o que nos motivou a produzi-los foi o programa Eu Faço Cultura, que tem objetivos muito alinhados com os nossos: levar a cultura para quem por ela se interessar, inclusive para quem mora em regiões distantes ou não tem condições de pagar.


Uma das coisas mais interessantes de se analisar no desenvolvimento de uma empresa, especialmente para nós que temos por hábito o registro de nossas reflexões aqui no Pipoca Azul, é a maneira como vamos nos aproximando de algumas ideias que inicialmente pareciam distantes. No início, pensávamos em publicar só livros digitais. Nunca descartamos a possibilidade de ter os mesmos livros no formato impresso, mas também nunca quisemos que a Pipoca fosse uma editora somente de livros impressos.

Fomos questionadas, claro, porque a definição da Pipoca como a única editora brasileira de livros exclusivamente digitais deixou de existir e isso causou estranheza para quem nos acompanha de perto… Mas vale lembrar que as ideias vão clareando à medida que caminhamos e as desenvolvemos, é meio clichê, mas é verdade: na prática, a teoria é outra! Iniciamos com a ideia de que o bacana era a inserção dos recursos interativos, pra aproveitar o interesse das crianças pelos equipamentos digitais para despertar interesse pela leitura. Com o tempo  analisando o desenvolvimento da Pipoca como uma empresa  percebemos que não era esse o ponto principal, mas sim o fato de que publicar livros em diversos formatos permite que eles estejam em uma diversidade enorme de equipamentos. Depois, observamos também que outra coisa interessante do formato digital é a capilaridade, e isso diz respeito não só  aos livros estarem em diversos equipamentos, mas ao fato de os canais digitais de distribuição permitirem que os livros cheguem até as crianças, sem que elas precisem ir em uma livraria convencional ou em uma biblioteca.*

O interessante é que as crianças busquem os livros e eles cheguem nas mãos delas, onde elas tiverem, não só onde há livraria e biblioteca… enfim, as curvas são muitas e, a cada novo questionamento, a cada nova tomada de decisão, os caminhos vão ficando mais claros. Se consideramos que a função de uma editora é  levar os livros até as crianças e, no nosso caso, utilizamos o formato digital para aproveitar da capilaridade característica deste universo, também devemos nos utilizar dos canais digitais de distribuição de livros impressos para alcançar o mesmo objetivo. As livrarias físicas têm uma enorme importância, é claro (e agora com livros impressos pode ser que escolhamos utilizar também esse canal de distribuição, o que ainda será decidido em uma próxima curva), mas sabemos que 74% das livrarias físicas no Brasil estão nas regiões Sul e Sudeste (ANL, 2013), ou seja, a questão do acesso aos livros segue sendo um desafio.

Os livros impressos da Pipoca estão sendo vendidos pela Amazon e, em breve, serão vendidos também pelo site da editora. Mas o que nos motivou a produzi-los foi o programa Eu Faço Cultura, que tem objetivos muito alinhados com os nossos: levar a cultura para quem por ela se interessar, inclusive para quem mora em regiões distantes ou não tem condições de pagar. O Eu Faço Cultura oferece espetáculos de teatro, dança, música, ingressos para cinema, DVDs/CDs e… livros! Se para ir a um espetáculo você precisa que ele esteja sendo oferecido na sua cidade, no caso de DVDs/CDs e livros, isso não ocorre, pois os beneficiários solicitam os produtos que desejam e nós enviamos, pra qualquer lugar do país.

Seguimos lutando pelo reconhecimento do formato digital como uma ótima opção de leitura,  e mais do que isso, como uma forma de produção necessária para que o uso de equipamentos tecnológicos seja mais diversificado, consciente e apoie o acesso das crianças à cultura literária; seguimos participando de eventos apresentando o trabalho editorial digital.**

É uma causa, mesmo.

Nunca defendemos a briga entre os formatos digital e impresso (na verdade, não vemos nenhum sentido nela), mas sabemos que é preciso investir no digital para que ele realmente possa atingir o potencial que tem e conviver com o impresso, sendo cada um mais adequado para situações diferentes, gostos diferentes… mas sendo opções oferecidas aos leitores para que estes façam suas escolhas.

O objetivo é levar os livros até as crianças para que elas leiam. Simples assim!. E a distribuição gratuita que existe no Eu faço cultura mora no nosso coração, porque defendemos o formato digital, sim, mas defendemos mais ainda a função social das editoras, e esta só é possível com apoio de ações como essa.

*****

Vamos deixar claro que achamos que são ótimas opções de lazer e de encontro com livros de interesse da própria criança, não à toa sempre postamos opções de livrarias e bibliotecas em nossas redes sociais! Mas sabemos também que este é um movimento complicado de ser feito, especialmente em nosso contexto, onde há muitos municípios que não têm bibliotecas e muito menos livrarias… infelizmente.

** O último foi o III Fórum nacional sobre a formação e a atuação profissional dos revisores de texto, na UFSCar, onde apresentamos junto com a Editora Embrapa o fato de que os processos editoriais tradicionais permanecem os mesmos, ainda que o formato final de publicação seja diferente.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

15