Imagem: Divulgação Editora Pipoca®

Por Suria e Isabela


Nunca defendemos a briga entre impresso e digital e sempre ficamos muito chateadas quando alguém publica aquele monte de versões do mesmo tema, dizendo que o digital veio pra matar o impresso e se deu mal. Dá tristeza de verdade, porque vemos as duas formas de produção como suporte para o incentivo à leitura, e não como concorrentes entre si.

Mas se pro grande público o que chega é a briga eterna entre livros impressos e digitais, dentro dos bastidores do mundo editorial digital enfrentamos mais uma briga: a dos formatos digitais. Essa briga alcança também o mercado de livros de interesse geral, mas vamos nos manter nos infantis, que é a nossa área.

Vamos começar do começo: não é barato ter uma editora. E não é barato ter uma editora digital, por mais que muita gente ache que é. A verdade é que, o custo é bem equivalente quando se produz inicialmente no digital e se oferece os livros nos diversos formatos de livros digitais atuais (PDF, epub simples, enriquecido e mobi)  e audiobook, pois para oferecer essa variedade há investimento em narração, animações, interações, etc… É claro que se formos produzir apenas nos formatos estáticos o custo baixa bastante, mas ainda assim não é exatamente barato. O que tornaria a produção barata de verdade, seria o aumento do número de exemplares vendidos, afinal, um produto digital não tem um custo unitário. Mas enquanto isso não acontece, é realmente muito difícil oferecer livros digitais pelo preço que, em geral, se imagina que deveria ser (algo muito inferior ao preço do livro impresso). Se falarmos de aplicativos, então, os custos são ainda mais altos.

Por isso é importante tratar dos diferentes formatos de livros digitais não apenas nesta visão de briga e competição entre eles. Nós não produzimos book-app porque, em nossa visão, aplicativos podem ser explorados de outra forma, como ferramentas complementares aos livros (impressos ou digitais) e temos muito interesse no crescimento do mercado editorial digital e, para isso, nos parece importante trabalhar com quem já representa esse mercado em termos de canais de distribuição, ou seja, livrarias e bibliotecas. Isso quer dizer que os book-apps não servem para incentivar a leitura? De jeito nenhum!! É claro que servem! Quer dizer que não são livros digitais? Também não. Quer dizer apenas que é uma abordagem de mercado diferente. E, no final das contas, se queremos que o mercado se fortaleça, o ideal é que tenhamos força em todas as frentes. Ao menos é assim que vemos.

Outro ponto importante é quanto ao formato PDF. Quando surgem as (muitas) críticas a ele, quando alegam que ele é um subproduto do livro impresso e que as lojas não trabalham mais com esse formato, nós sempre nos questionamos… As bibliotecas digitais (que funcionam, em sua maioria, num sistema muito similar ao Netflix) em sua maioria ainda aceitam apenas PDFs¹ e o alcance obtido por esses canais é bem maior do que o obtido pelas vendas em livrarias digitais, afinal, é preciso considerar que o jeito de consumir conteúdo na internet também difere do jeito de se consumir no mundo físico. Na cultura digital os sistemas de assinatura mensal para acesso a uma variedade de conteúdos tem se mostrado o modelo de negócio mais eficiente para quem produz os conteúdos, para quem os distribui e, principalmente, para os consumidores. É preciso pontuar que não estamos aqui dizendo que deveríamos produzir apenas em PDF, mas ele é, sim, um dos formatos de livros digitais e, no nosso caso, o com maior alcance, ou seja, o que atinge melhor o nosso objetivo de levar os livros a mais e mais crianças. E isso faz com que ele seja bastante importante pra gente como empresa também.

E é ao entender o que é importante pra gente como empresa que podemos seguir produzindo, e é assim que ampliamos catálogo e unimos forças para o real desenvolvimento de um mercado com um potencial enorme e ainda pouquíssimo explorado. Talvez não fosse preciso abordar isto, mas não custa: quando falamos de fortalecimento do mercado nos referimos a oferecer opções de leitura para as crianças também nos dispositivos digitais aos quais elas já têm acesso e, de forma alguma, propomos um fortalecimento do mercado para enfraquecer o mercado de livros impressos!

Book-apps, PDFs, livros digitais simples e enriquecidos com animações, interações e sonoplastia, todos deveriam ter seu espaço respeitado, pois cada um tem um papel dentro do fortalecimento (ou podemos dizer criação?) desse novo mercado, dessa nova forma de acesso à literatura e, em conjunto com livros impressos e audiobooks, são responsáveis por uma maior difusão da literatura infantil, com toda a importância que isso tem.

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¹ No que se refere a livros com layout fixo, que mantém a diagramação, algo fundamental no caso de livros infantis.

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